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sábado, 4 de setembro de 2010

O Conto do Elixir


[ATENÇÃO:LEIA SE TIVER PACIÊNCIA]


Em uma ruela sem saída, existia um cortiço sujo e desprezível que abrigava uma mulher de aparência desgastada de seus quarenta e sete anos, cheirando mal, com vestes que mais pareciam farrapos e dentes amarelados pelo tempo. Esta residia a tempos sozinha, amargurada e sem mais para onde correr vagava pelos becos a procura do que chamava "do mais doce elixir". Em uma tarde um tanto ensolarada, passeava pela a rua da frente, um casal juvenil, com boa aparência, tagarelando e rindo as soltas. Ela vestia seda.. A mais pura seda. Seus cabelos negros faziam contraste com sua pele de giz, e seus olhos caracterizavam a mais preciosa esmeralda. Ao seu lado, encontrava-se um belo rapaz, um tanto magricela, com a pele no mesmo tom de sua companheira e cabelos dourados esvoaçantes. Seus olhos refletiam os dela. Algo parecia ter acontecido, algo bom por assim dizer. Aos trotes os dois iam, pareciam não saber onde parar. Já deveria ter passado do meio dia quando aos sustos de cara deram com a velha do cortiço. Abruptamente o sorriso ecoante da menina se desfez, dando lugar a uma linha rígida de expressão. O jovem logo se pôs a frente, em posição defensiva. Não imaginava ele que nada deveria temer. Porém a velha olhou e olhou... Deu um passo em falso, titubeou e se desequilibrou. Abriu a boca, e nada falou. Os pássaros cantaram. Não faziam isso a anos. O sol se escondeu como a muito não fazia. Havia passado dois minutos se muito. E então, a mulher fez sinal para que o casal a seguisse.
Ambos se entreolharam. Nenhum passo foi escutado, se não fosse aquele antigo andar gasto agora um tanto apressado da velhota que a frente abria espaço. Como se tivesse uma certeza, sem olhar para trás, a mulher abriu o portão enferrujado daquele cortiço e caminhou para dentro, somente parando para tirar plantas mortas de seu beiral. O jovem a observava do outro lado da rua, sem deixar uma brecha para a dama a encarar. Não existia uma alma viva na rua, nada que os pudesse ajudar. E dali, não sabiam sair, ou ao menos voltar. Provavelmente não faziam ideia de como ali chegaram. Patéticos seres abobalhados crentes no mais poderoso veneno humano. Aquele que ama vê o que quer e o que sente adormece sem saber. Eles prosseguiram. O rapaz talvez achando que mal nenhum uma relez velha de um cortiço abandonado poderia fazer. A moça, um tanto temerosa, tropeçou em dois degraus, fazendo um barulho estrondante ao bater seu sapato na beirada da porta. Entraram. Escuridão, o breu os esperava. Fedia aquele lugar. Mais parecia que uma daquelas portas guardava um cadáver. Deveria ser algum moribundo da vizinhança. A mulher havia sumido. E o cortiço não era tão grande. Um pouco maior que uma cozinha, com uma escada em caracol,levando a andares desconhecidos. Subiram, mais e mais. Já cansados e prestes a desistir, abriram uma das últimas portas daquele desprezível terceiro andar e deram de encontro com a velhota sentada em uma cadeira de balanço olhando pela janela, ao longe, talvez a linha do horizonte. Um pigarro. Dois. Três. Ela levantou um dos dedos finos e apontou para uma cama mofada que encontrava-se encostada a uma parede descascada e úmida. A jovem possuía uma mistura de temor e curiosidade. Pensara já ter passado por aquele portão anos antes, mas a memória era vaga, e ao passar os olhos pela saleta, deparou-se com um antigo porta-retrato com a foto de um bebê gorducho e sorridente. Deveria ter uns trinta anos aquela recordação. Seu papel já estava amarelado, como muitos objetos pareciam estar. O jovem ao contrário, estava robusto como nunca estivera antes, seu nariz quase ao teto chegava, talvez pela fedentina. Um som foi surgindo aos poucos...
__E..eu, eu já vi vocês antes, sussurrou a velha. Os vi outro dia mesmo por esta ruela vazia, andavam feito tontos. Sem saber para onde ir.
Nada falaram. Olhavam para o chão. Talvez para os bichos que marchavam pelo assoalho.
__Moça, deixe-me ler a sua sorte. Falou a mulher desgastada para a linda jovem que a olhou espantada pelo pedido.
__Mas a sorte, ela não se lê. Ela se tem! Não darei a minha para a senhora. Esbravejou a menina ofendida.
__Não a quero. Somente preciso ler. Se quiser, quando eu terminar, poderá ir. Livre para o infinito.
Esta fez que sim com a cabeça, surpreendendo o parceiro que ainda encarava o chão, com seu nariz quase acariciando o assoalho. A velha soltou um suspiro e fez um sinal com a cabeça para uma portinha que dava para o sótão. De inicio, a menina se negou, mas cedeu. Foi. Deixou o rapaz encolhido perto da janela, sem uma palavra dizer.
O sótão era menor do que a saleta em que estavam, úmido e com poucos móveis, agrupava poeira para onde quer que olhasse. Possuía uma mesa, e duas cadeiras. Mais parecia algum comércio. Algum antigo comércio. A jovem sentou-se e encarou friamente a mulher que agora possuía uma feição esbelta em uma cadeira volumosa.
__É algum tipo de cartomante? Tagarelou a menina.
__ Não. Expressou-se a mulher.
__Então o que é?
__Curandeira.
Instintivamente a jovem tirou sua mão, porém, como por reflexo, a velha a segurou. Acariciou, e logo depois suspirou ao fechar os olhos. Perguntou:
__ Por que não está feliz? Aliás, você mente. E muito. O que quer? Um mundo a desbravar? Não... Um poço de moedas cintilantes? Acho que não.. Um amor?
A menina assustada, puxou fortemente seu braço, fazendo que como um rompante a velha abrisse os olhos e soltasse uma leve risada.
__ Como sempre. Então a senhorita quer o elixir. Pareceu-me tão segura de si pela janela. Suas bochechas coradas não me enganaram...
__Mas do que fala sua velha? Perdeu o último juízo que possuía? Eu tenho meu amor!
__Ah, tem? Então, prove. Corte-se com essa navalha, um leve corte, para somente uma gota jorrar e provar que seu amor é mais forte do que essa relez vida que tem.
Os olhos de esmeralda estavam possuídos pelo ódio, suas entranhas corroíam pouco a pouco, suas mãos tremulas alcançaram o objeto pontiagudo e cintilante e em questão de segundos mais que uma simples gota jorrava daquela cadeira. Coitada. Estava morta pelo amor. Tão linda, e enganada pela própria vontade de amar.
A velha murmurou e levantou-se ao encontro da porta. Encontrou o menino encolhido, com as mãos sob as pernas, se minutos fossem depois, estaria em posição fetal. Ela fez com o dedo, um gesto para que entrasse. Rápido, ele foi. Exultante para a namorada encontrar. Pálido ao encontra-lá estirada no chão por cima de uma poça avermelhada. Não correu. Caiu sobre a menina com as lágrimas jorrando feito cascatas sem se dar ao trabalho de olhar para a velha do cortiço que a passos rápidos trotava para cima dele. Um grito agudo e notório. Outro final.
Já era o cair da noite quando a mulher retornou para as escadarias principais, sozinha. Outra vez sozinha. Sem o elixir. Sem o amor.
Quem ama, faz loucuras, quem ama quer sempre mais. Existem mais mistérios entre o céu e a Terra do que o homem pode adivinhar. E a cada cair do sol, a cada canto dos pássaros, um novo amor surge, uma nova esperança nasce, e uma nova decepção caminha ao encontro do abobalhado apaixonado. Quem muito quer, de quem muito espera, necessita de uma boa dose do elixir. Porque sem ele, a velha não existe. Sem ele, a vida não existe. Do jovem casal, restou o passado. Velha que se chama vida, prega peça em quem gosta de ficar na frente da plateia pra ver o espetaculo começar. Ah, o amor... Só se for a dois.

minha autoria.

5 comentários:

CristaL. disse...

Olá! Vim agradecer o comentário!
Belo texto, vc é bem romantica, hein! bj

www.brincandodefazerpiada.blogspot.com

Blog de Humor ácido, volte sempre!!
Post novo todo sábado!

Rafa disse...

Olá.. Olá..
Devo confessar que qdo vi o seu post logo pensei em um texto desiteressante e monótono. mas decidi desbravar e, que bom, me deparei com uma boa história!! Aliás uma metáfora muito boa, a velha ser a vida e as loucuras insanas causadas por sentimentos não tão nobres q quando colocados sob teste, desfalecem e não perduram. tbm gostei do seu texto (forma de escrever). todavia, se me permite uma pequena opinião não faça muito o uso de fases de efeitos clichê no seu texto. empobrece! POr exemplo " há mais mistérios entre o céu e a Terra..." parafraseando uma frase de conhecido filósofo. o final da sentença é diferente, mas a referência é clara. gostei demais viu!!!
vo passar semprepor aqui..

____
ps: a garota do blog me lemboru do seriado gossip girl! hehe

depois se quiser passa lá: http://culturapoperudita.blogspot.com/


Bjin 0/

Bella F. Costa disse...

Olá queridos.
primeiramente gostaria de agradecer a paciência e a consideração por terem comentado.
Cristal, que bom que gostou, e é , já me falaram que sou romantica. será que sou?
Rafa...
incrivel né, nos surpreendemos sempre, basta darmos uma minima chance para sabermos se vale a pena. ótimo saber que você gostou e que a sua opinião mudou. não podemos tirar conclusões precipitadas correto?
obrigado pela dica, irei segui-la. e olha que não costumo fazer citações. é o 2º texto que faço apenas com citação. aliás, irei lá visitar seu blog. volte sempre, beijos, gossip girl. hahaha
:)

Érico Pena disse...

Olá Garota do blog, obrigado por seu comentário no www.cinemeirosnews.blogspot.com e gostaria de avisar que o blog já ta atualizado de novo ok! passe lá e confira depois.
Com relação ao seu post eu concordo plenamente e amor só se for a dois pra gerar o terceiro hehehe... só acho que as letras tem que serem maior e de outra cor pra dar um maior contraste na hora da leitura ok. grande abraço do amigo @ericopena

Clube do Filme disse...

Realmente seu texto é muito bom.. está de parabens!!..

Abraço...